26.12.10

Saudades de Zurique!





Panorâmicas de Zurique



Zurique vista do ETH

Zurique vista da margem sul do Limmat

Vista para oeste sobre o Limmat 

Vista da parte antiga da cidade

Vista nocturna a partir do ETH


A nave central do edifício das Geociências





11.12.10

As últimas de Zurique



ETH-Zürich, um exemplo a seguir



Quando cheguei, perguntei aos meus colegas aqui do ETH como é que a Suíça estava a reagir à crise financeira. A resposta foi: “Qual crise?!”. A análise desta resposta não cabe neste post! Mas é muuuuuito interessante ...



Durante uma pausa para o café das 8 da manhã (aqui é comum começar-se a trabalhar às 7 ... da manhã) discutia-se a crise financeira mundial e a forma como os bancos deixavam as pessoas endividarem-se, quando uma aluna de doutoramento disse: “Aqui isso não é possível porque o banco não permite que as pessoas de baixo rendimento (menos do que qualquer coisa como 5 ou 6 mil euros/mês!) utilizem, a crédito, mais do aquilo que têm depositado no banco. E começamos a desvendar alguns dos segredos da ausência de crise financeira ...



Como se constrói e mantém a maior instituição europeia de investigação e de ensino superior - o ETH-Zürich? Esta é a pergunta que deve ser feita por aqueles que almejam um dia ser alguém, sobretudo por aqueles que têm o poder de decidir o futuro da Universidade Portuguesa. A vermelho, na imagem acima, está assinalado o ETH-Zürich (Instituto Federal de Tecnologia, em Português), e a azul a Universidade de Zurique. Ambos os edifícios são imponentes, mas o ETH é significativamente maior. Não porque tenha mais alunos (na realidade tem aproximadamente metade), mas porque tem quase o dobro do financiamento. Daqui se depreende que aqui, ao contrário de Portugal, o financiamento não depende do número de alunos, mas sim da relevância da investigação que se pratica. E aqui as palavras Investigação e Ciência não são eufemismos, são para se levar a sério.


O edifício das Geociências (assinalado a vermelho) não tem a dimensão do edifício central do ETH (a verde), mas ainda assim mostra bem a importância que as Geociências têm para o ETH.


Um aspecto do exterior do edifício das Geociências. Aqui não se é promovido por se ser amigo do chefe, aqui é por competência. E aqui é motivo de grande orgulho e celebração ser-se reconhecido pela instituição e ser-se nomeado para os seus quadros de efectivos. Porque é que nós não somos capazes de aprender com estes bons exemplos?! Aqui vai uma primeira resposta: no topo da carreira, o Full Professor (equivalente ao nosso Professor Catedrático) volta ao contrato por 6 anos, ao fim dos quais é rigorosamente avaliado durante 3 dias (administração, ensino e investigação). Se não for avaliado positivamente ... venha o próximo. Assim já se começa a perceber porque é que em Portugal não se quer aprender com os bons exemplos.


Vista panorâmica do interior do corpo central do edifício das Geociências. Ao centro está a torre com exposição permanente de materiais didácticos/pedagógicos, e em baixo um grande átrio para exposições temporárias. Este espaço está aberto ao público, incluindo Domingos. Aqui se atrai a juventude que um dia frequentará o ETH.



Um dos espécimens em exibição na torre central; grandes cristais de quartzo cheios de agulhas de rútilo (dourado). O cristal ao centro tem quase 40 cm de altura.


Outro espécime de grande beleza; aglomerado de cristais de quartzo de grande dimensão (quase 1 m de ponta a ponta).


Este espécime, com mais de 200 kg, foi oferecido por mim ao ETH. Como aqui se reconhece a importância científica/didáctica/pedagógica deste exemplar, de imediato foi exposto no átrio central no piso da Geologia Estrutural e Tectónica. Antes de ser transportado para Zurique, este belo exemplar de comportamento fluido das rochas foi por mim cedido ao meu departamento para ser exposto no átrio de entrada ... mas passou anos enfiado numa cave a encher-se de pó, ao fim dos quais decidi oferecê-lo ao ETH ... porque aqui financiaram integralmente o trabalho experimental por mim realizado no meu ano de sabática, e porque aqui reconhecem a relevância daquela rocha. Em Portugal o meu projecto de financiamento de sabática foi rejeitado, e a bela rocha foi tratada como uma qualquer pedra atirada para o chão de uma garagem.



O IVA aqui vai aumentar! Que horror! ... para 8 e pouco por cento a partir de Janeiro de 2011 (presentemente é de 7 e tal)! O nosso IVA vai aumentar para quanto?! Quase 3 vezes mais do que na Suíça?! Ainda gostava que um economista me explicasse como é que isto é possível. Alguma coisa está errada! Há uns 5 anos, estava eu em Zurique quando houve um referendo (aqui referenda-se tudo o que é importante) sobre o número de horas de trabalho semanal; qualquer coisa como passar de 45 horas para 39. Adivinhem lá qual a versão que ganhou!


Anteontem fui pegar o meu almoço aqui ao Italiano do lado, paguei com uma nota de 50 ... mas esqueci-me de apanhar o troco! Um dia depois, ontem, voltei ao dito Italiano e disse ao empregado que, no dia anterior, tinha pago a conta de 12 francos com uma nota de 50 mas não tinha levado o troco. Ele olhou para mim e disse: "Não me lembro, mas não faz mal, aqui está o seu troco de ontem, 38 francos." Sem mais comentários ...



30.11.10

Crónica a partir de Zurique



... ainda de Zurique!


Assim sim, isto é que é nevar!


Fim de tarde ... vista do ETH sobre Zurique.

... e início do dia seguinte.



O casario da zona baixa de Zurique.



As igrejas típicas de Zurique, com as suas torres coloridas e pontiagudas.


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Vista da encosta norte de Zurique.


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Isto é que é nevar ... flocos enormes e muitos!


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Vista do ETH sobre a zona baixa de Zurique.



28.11.10

Crónica a partir de Zurique



Nova estadia de trabalho no ETH-Zürich


Guardo grandes recordações da minha sabática aqui em 2007/8. É um grande privilégio trabalhar no ETH. Ver http://cronicasdealem.blogspot.com/2008/11/blog-post_26.html  e  
http://cronicasdealem.blogspot.com/2008/12/blog-post_13.html


A caminho do ETH-Zürich para o primeiro dia de trabalho. Prefiro ir a pé!


A beleza das casas e da neve nas árvores despidas da folhagem.


... e até me esqueço que está muito frio.


Parece que estamos sempre dentro de um postal de Natal.


É assim que imaginamos o Natal ... mas ainda estamos em Novembro. Estive aqui permanentemente nos anos de 2007 e 2008 e nunca nevou assim!


Vista do ETH para Sul e para o lago (à esquerda).


Vista do gabinete ...


... ainda do gabinete, mas para Norte. Sinto-me inspirado para trabalhar!


Um detalhe da vista.


Vista do terraço do ETH ... com muita neve e um frio de rachar!


Este capachinho branco até lhe fica bem ...


Novo gabinete, mas sempre uma vista inspiradora. Este gabinete partilho com um génio da Matemática, o Yuri Podladchikov, que me tira o sono porque me obriga a repensar tudo o que aprendi, a reflectir muito e a estudar ainda mais. É um grande privilégio trabalhar aqui!


Tive que ir ao supermercado e aproveitei para recolher mais umas imagens.


De volta a casa enfrentando a tempestade.


Vista do meu quarto na manhã seguinte ... tudo coberto de branco.


Hoje é Domingo e vou aproveitar a manhã para fotografar a cidade vestida de Inverno.


O casario antigo sobre o rio Limmat.


Vista, para Oeste, a partir do miradouro na vertente Sul do Limmat.


Vertente Norte do Limmat, com a Universidade de Zurique por trás da torre da igreja.


Ainda a vertente Norte, mas agora a fachada Sul do edifício central do ETH.


Para quem não acredita que está um frio de gelar ... até os ossos!


A Sé Catedral de Zurique.


Na baixa de Zurique, numa ruela perpendicular à famosa Bahnhofstrasse.


... e outra ruela que parte da Bahnhofstrasse.


E pronto, acabou o passeio de Domingo de manhã. Estou de volta ao ETH para trabalhar.




21.11.10

Um pouco do oeste Americano



Uma visita ao interior da Califórnia

Terminado o Congresso da AGU (American Geophysical Union) em S. Francisco, aluga-se um carrinho para um fim de semana fantástico no interior da Califórnia.






Chegada ao Yosemite Park, no norte da Califórnia. Ao centro e ao fundo o famoso Half Dome, de granito, que se ergue a mais de 1450 m acima do vale que lhe serve de base. À esquerda o famoso El Capitan.

De manhã muito cedo no Yosemite Park ... um frio de gelar!


O orvalho gelado iluminado pelos primeiros raios de sol.


Quer se acredite, ou não, aquela parede quase vertical de granito, o El Capitan, tem cerca de 910 m de altura. Ali encontram-se regularmente dois tipos de loucos: os que escalam sem cordas (ou qualquer outro tipo de segurança), e os que saltam lá do topo em queda livre (base jump)!



O Half Dome ao longe ... não houve tempo de vê-lo de perto!

















Após umas centenas de quilómetros para sul (e ter convencido um casal de polícias a não me multar, por excesso de velocidade, porque confundi milhas com quilómetros!), chegada ao deserto de Mojave ao romper do dia.




À chegada ao Death Valley, as cores das formações rochosas eram soberbas!


Já com o Death Valley à vista.

O famoso Death Valley!


O coiote, talvez o habitante mais conhecido e dos mais bem apetrechados para sobreviver onde os outros morrem.
























De volta a S. Francisco através do deserto do Mojave. Estive tão perto da fronteira com o Estado do Nevada e não fui a Las Vegas ... fica para a próxima.



Viagem de regresso através de vales lindíssimos ...



... com o fundo preenchido por sal.





Fim de tarde no Deserto do Mojave.


Nascer do sol e despedida do deserto ...



Ainda uma paragem em Red Rock Cannyon, já próximo da famosa falha tectónica de Santo André na Califórnia. A cidade de S. Francisco está parcialmente construída em cima desta falha, e como resultado de um tremor de terra de grande magnitude a cidade foi quase totalmente destruída em 1906 (http://earthquake.usgs.gov/regional/nca/1906/18april/index.php).